segunda-feira, 1 de junho de 2009

Prazer

Um dia se cansou de sua vida. Não era a natural e entediante combinação trabalho e namorada que o incomodava. Gostava de ambos, pois era onde conseguia conforto, segurança, perspectiva, futuro e carinho. Mas estava cansado mesmo assim.

Mas nunca é fácil partir de uma hora para outra para a aventura. Aventura essa que nem sabia sobre o que seria, nem como, nem com quem. Não era fácil. Como começar uma coisa se não se sabe por onde?

Mas nem tudo é racional neste mundo. Ou melhor, as coisas mais importantes não são racionais. Aos poucos ligava menos para a namorada, ligava mais para o trabalho dizendo que não ia e abusava da paciência, para não mandar a namorada para longe e em sua diversão vespertina no computador do trabalho.

E assim o tempo passou e ficou calado. Sabia o que era melhor para sua vida. Sabia o caminho que devia seguir e tinha apoio de todos, mas lhe faltava alguma coisa. Até que em uma semana tudo aconteceu e todos passaram a compartilhar do cansaço com ele. De uma hora para outra, chefe e namorada, não necessariamente nessa ordem, o mandaram procurar o que lhe dava prazer (não diretamente, mas o “Eu não preciso mais de você” de ambos já queria dizer muita coisa).

Mas você acha que foi sair assim? Pulando de alegria gritando pela liberdade? Essas coisas não são assim! Tinha perdido todo conforto, segurança, perspectiva, futuro e carinho. Acabou, surpreendentemente, arrasado. “Só damos valor as coisas quando perdemos”. Foi mais ou menos assim. MAIS OU MENOS.

Nem se lembrava mais de seu cansaço e para agüentar a barra apelou para a saída tradicional. Ligou para seus amigos (dos quais havia se distanciado. “Ossos do ofício”) e combinou baladas e mais baladas. Não tinha vontade para muita coisa, mas se esforçava para fazer as coisas. O que mais podia fazer? Ficar trancafiado em casa só aumentava a angustia.

Saia, enchia a cara, se divertia com a molecada, tudo que havia tempos não fazia. Life can always start up anew. Mas lhe faltava algo e esse algo, de alguma forma ele sabia, não era o emprego/namorada. Mas o que era?

Começou a expandir. Ia a diferentes lugares, pegar tudo quanto é tipo de mulher, experimentou de tudo (sempre respeitando a Lei de Gil, claro), se entorpeceu com tudo que lhe foi possível, de sementes a paixões.

Mas a vida foi indo. Podia dizer que era a pessoa que mais se divertia no mundo, mas sempre tinha seus momentos. Fez coisas que nunca fez, esteve em situações que nem em filmes já colocaram (talvez em alguns pornôs) e tinha histórias para dar e vender. Seus netos o adorariam, se é que algum dia fosse ter algum (talvez por acidente, não o neto, mas o filho e uma coisa leva a outra).

Mas você ta ligado. Esse negócio de coisas muito intensas sempre é assim. Quando você quer encher a cara, você as vezes aposta em virar uma vodka, uma cachaça, tequila e afins. Mas como diriam, “Vem rápido e volta rápido”. Quando você aposta em uma coisa gradual, nem sempre você fica bêbado, mas as chances de vomitar e passar mal são menores. Tudo é questão de escolha e estratégia.

Com o tempo, não poderia ficar nessa de “praia e maconha em Fernão de Noronha” para sempre. Até queria, mas as coisas não são assim. De vez em quando dava um migué e mandava uns currículos. Não tinha grandes pretensões, mas uma coisa levou a outra, entrevista, o cara gostou de seu jeito despojado.

Mas o seu novo futuro chefe não foi o único. Apesar de não fazer questão de ser um ser humano descente quando o assunto era mulheres. Tá ligado como mulher é né? Trata mal e os caraio e elas curtem. Estilo cachorra. Daí uma ficou no pé dele. E você ta ligado né?

Era uma garantia de sexo constante. Não lhe prometeu fidelidade, continuava na bagunça e negava veementemente qualquer possibilidade de relacionamento. Mas quando você dá a mão, querem o braço. Aos poucos a moça estava cobrando um cinema antes de ir para a casa dele (ele não ia gastar dinheiro com motel com ela).

Depois ela estava indo para ver um filme na casa dele. Depois ela estava passando o final de semana, viajando com a família. E, para a sua surpresa (mas só sua, de ninguém mais), dentro de pouco tempo queria ficar com ela mais do que com qualquer uma.

Estava namorando.

Estava empregado.

Estava feliz. Podia dizer que era a pessoa mais feliz do mundo, mas tinha seus momentos. Dedicava-se com tudo ao trabalho. Tinha satisfação com o que fazia, com os projetos realizados, com os elogios dos superiores.

No tempo livre, só queria fazer uma coisa. Ficar com a namorada. Ganhou uma semana de folga no trabalho devido a um trabalho bem realizado. Ou seja, uma semana maravilhosa com seu amor. Amor? Amor.

Não queria muito ir para a balada. A diversa não é a mesma. Preferia cinema e restaurante, filme e pipoca, xixi e cama. Mas um dia aceitou a pressão, não podia esquecer os amigos. Não era uma festa como nos seus períodos de solteirisse, mas as mulheres pareciam a disposição como nunca nos seus momentos de solteirisse.

It’s a tricky game. “Se estivesse solteiro, agora seria melhor ainda”. Isso deu uma brochada em seu relacionamento. Não queria que acontecesse como da outra vez, deixar miar tudo, levar uma bota e ficar sofrendo. Decidiu dar um tempo.

Uhuuu! Festa!.. Maaas it’s a tricky. Num era bem como em sua cabeça. As garotas estavam lá, mas não funcionavam como oito meses atrás. Aquela desenvoltura, simpatia e assuntos de sobra estavam rareando. Não perdeu tempo, voltou para sua namorada. The safe place.

Estava novamente feliz, mas tinha seus momentos. Hoje em dia já se firmou com sua esposa, que aguarda seu primeiro filho. Tem uma casa, um carro, um bom emprego, almoço de domingo, e sempre que pode dá uma escapulida com um travesti que faz ponto de sua casa e passa as madrugadas tentando convencer um menor de idade a se exibir na webcam, seja menino ou menina.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Més que un club

Olá.. Olá..

Hoje, no dia de hoje, foi um dia repleto de futebol!.. Final da Champions, Timão contra o Vaisco e... e é só isso... De resto foi W11, mas que também rendeu grandes emoções. Na verdade o W11 foi mais emocionante, já que depois que o filho mais ilustre de Camarões, Samuel Ett’o (aquele mesmo tão querido pela torcida do São Bernardo), marcou aquele gol no comecinho, ficou moleza, com Cristiano Ronaldo (one of then) tendo que se virar para marcar o cantoneiro Puyol.

Diga-se de passagem o gol de Ett’o foi um golaço. Iniesta vermelhinho socou o dedo no R1 pelo meio, passou por alguns marcadores e meteu de X na lateral para Ett’o. O negão foi com tudo no QUADRADO, mas na hora H apertou um X, deixando o marcador para trás. Depois foi só colocar o direcional na diagonal para baixo/direita e apertar o QUADRADO novamente. Golaço.

A noite vi o jogo do timão, mas foda-se.. sem grandes emoções, já que Ronaldão (one of then as well) não jogou. Agora amanhã tem maaais futebol. Meu Verdão querido entra em campo contra o Nacional, que se classificou graças a gripe suína. E sabe o que é melhor, eu vou ao estádio. Vai eu e MEU PAI (Inri Cristo). Ficaremos na arquibancada juntamente com outras 23 mil pessoas que até esse momento já adquiriram os ingressos. De resto é a turma do Setor Visa que ousaram pagar 120 conto por um lugar numerado e mais confortável.

Será a estréia de Obina. O primeiro passo para ele comprovar sua superioridade em relação ao camaronês supracitado. Em Dubai, final do ano, ambos se encontrarão. Para isso basta que o resto do time faça sua parte, que Keirrison firme o pé, Cleiton Xavier meta as bolas com qualidade, Marcos salve tudo e Diego Souza fique lá, sendo craque, como sempre. Para ver esse jogo eu até tive que adiar o encontro com uma mina ai. Foda né?

Falando em mina, parece que eu vou fazer aula de dança de salão. Parece, num é certeza. Vou tentar pelo menos. A parada é de grátis e aprender uns remelexos no salão provavelmente me será valido no futuro. Creio que aprender a dançar está para pegar mina assim como aprender inglês está para sua carreira profissional assim como bater falta está para um jogador de futebol (guardadas as devidas proporções).

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A volta

Aha... Decidi reavivar meu quase falecido blog. Diante de muita expectativa (nem sempre revelada por vocês), pretendo premiar-lhes com conteúdo cultural constantemente. O dilema sempre é a temática abordada. Já tive diversas fases variadas que refletiam no meu blog.

A última era uma coisa pseudo ficcional que até me agradava, mas para fazer isso é necessário “por uma roupa e por o pau pra fora”, como diz uma canção popular. Como ultimamente minha vida de vagabundo desempregado me prende em casa durante boa parte do dia por pura falta de opção, o lado ficcional da minha pessoa será deixado de lado.

Poderia apelar para uma coisa sentimental, pois para quem já me conhece faz parte das minhas características pessoais por mais que eu tente fugir disso e de o fato de eu ser macho pra caralho ir de encontro a este fato. Porém, num to afim. Morô?

Então filhão. O negócio é apelar para outras mídias. No caso o Twitter. O Twitter, segundo minha concepção, é um bom lugar para compartilhar groselhas e opiniões com as pessoas do mundo. Mas 140 caracteres limita meu ser humano e como eu não curto limitações (ui!), twittarei aqui.

Tudo isso pode ser uma grande besteira que estou dizendo (e é), mas nesta madrugada de 26 para 27 de maio, véspera da gran finale da Champions League envolvendo dois dos meu clubes favoritos (com vantagem para o Barça, já que o time catalão é “mês que um club”) (Tot el camp tatata és un clam tatata), adiei meu sono, mesmo tendo que acordar 15 para as 10 da manhã devido a uma sessão de musculação, para digitar os pensamentos que estavam na minha cabeça.

E o pensamento principal é “por que ter um blog?”. A primeira resposta é “porque não?”. Mas isso é sem sentido, se não minha avó teria um blog e ela não tem. Por que eu, Felipe Floresti, teria um blog? Porque um blog deixa a vida menos meaningless.

...

Obviamente você vai pensar que estou valorizando um blog (e estou). Mas tem um monte de gente se dando bem fazendo blogs. Em pouco tempo surgem propostas de trabalho, é chamado para colaborar no Portal da MTV (meu sonho virtual) e tudo.

...

Tá bom, eu sei também que com este perfil editorial adotado é certeza de sucesso zero. Porém, contudo, é o Maximo que eu consigo fazer no momento. Acho firmeza aquelas pessoas que conseguem manter um blog sobre determinado assunto e postar de forma assídua. (Estou falando de assuntos que contam para um blog, que pode ser qualquer um, menos cultura geral e futebol, pois quem tem blog só faz isso. SÓ ISSO. Principalmente futebol).

Eu até tentei elaborar um blog com o intuito de evidenciar minha pessoa, e aos meus outros três amigos que toparam entrar nessa comigo, como pessoas superiores de todo o resto da humanidade. Mas, não sei porque, ele fracassou em poucos dias.

Eu curtiria manjar ou gostar de alguma coisa a ponto de poder manter um blog relevante para a sociedade, igual o DJ ou a Mariana Belloti. Eu manjo é futebol (e á controvérsias, já que eu acho que a contratação do Obina não é de todo mal), mas é proibido criar um blog desses (o tema está completo, nada do que você disser em um blog besta vai acrescentar ao panorama do futebol mundial).

Também manjo de manipulação intima masculina individual (podendo te indicar tudo que o mundo oferece de mais sofisticado para a potencialização máxima da atividade), mas falar sobre isso diminuiria em muito a minha chance de get some laid, o que iria de encontro com o que eu gosto de verdade.

...

Sim. Eu ainda posso falar de algo que eu gosto. Curto um sexo (heterossexual e seguro). Dar uma boa bimbada sempre é bom. Sempre é melhor que um self handjob (na verdade na maioria das vezes, porque tem um tipo de mina que aí, num dá nem pra comentar). Mas isso iria de encontro com o que eu manjo, e dizem que eu num manjo muito. Dizem.

...

Portanto eu não vou falar sobre nada. Igual o Seinfeld (a primeira série sobre o nada). Tinha até pensado em fazer um diário igual de menina contando detalhes do meu dia, mas ele não tem detalhes o bastante para isso. Portanto, nos próximos dias esperem por postagens abordando temas como:

- The one with eu sendo negado pelo Ministério da Saúde a doar meu sangue para quem precisa
- O porquê eu acho a contratação do Obina não tão ruim
- O fato de eu ter avisado que a Gripe Suína num era de nada
- Ronaldo
- Desemprego
- Sexo entre homens
- e um monte de piadas sem graça

domingo, 28 de dezembro de 2008

2009

Ano novo, vida nova. Clichês a parte, pretendo me utilizar de mais um e fazer um balanço desse ano que passou. Um ano em que muita coisa mudou, passei a grande maior parte dele em um país desconhecido, longe de todo mundo que eu gostava.

Porém, o único balanço que me interessa ultimamente é o da minha conta bancária (quem me viu, quem me vê). Por enquanto, só tenho a certeza que quero começar tudo do zero, em todos os aspectos. Mas isso deixa para março, quando o balanço de verdade será inevitável. Até lá, é só alegria.

E depois também né. Porque, como diria o Bidê ou Balde, "E por que não?"

domingo, 23 de novembro de 2008

Let´s talk about what feed me!

I thought of that old joke, y'know, the, this... this guy goes to a psychiatrist and says, "Doc, uh, my brother's crazy; he thinks he's a chicken." And, uh, the doctor says, "Well, why don't you turn him in?" The guy says, "I would, but I need the eggs." Well, I guess that's pretty much now how I feel about relationships; y'know, they're totally irrational, and crazy, and absurd, and... but, uh, I guess we keep goin' through it because, uh, most of us... need the eggs.

Uma história de amor pode começar de um sem número de maneiras diferentes. Algumas acontecem entre amigos de infância, no colégio, amigos em comum, na fila do banco, companheiros de trabalho, no banheiro masculino, nas ruas de Barcelona, na mercearia, speed dates... Esta aqui começou da maneira tradicional: se conheceram na pista de dança de um club bacana, com pessoas interessantes e musicas boas.

Entre luzes piscantes, rostos cansados, roupas estranhas, gente interessante, ela apareceu reluzente e rodopiante entre amigos. Apesar da desconfiança homossexual, foi amor ao primeiro sorriso. I can bet that you look good on the dance floor.

Blusinha verde, calça jeans, cabelos longos, pele lisa, olhos levemente puxados e rodopiando, rodopiando, rodopiando, rodopiando. OOBCECADO, de tempos em tempos recebia um sorriso que o fazia estremecer mas não acreditar que estava sendo alvo da mulher mais linda que havia visto até então.

Conhecido por sua inoperância e ineficácia, manteve a pose de galã e aos poucos foi soltando o potencial psicodélico que vinha sendo escondido do público. E parece que funcionou (não que isso fosse alguma espécie de arma).

Quando abriu os olhos, tudo que via ainda eram as luzes piscantes. Mas sentiu um braço tocando o seu e de um momento para outro se grudaram, rodopiando, rodopiando, rodopiando, rodopiando... Parecia mentira. Para os outros, “viado sortudo”. Para ele, “viado sortudo”. Rodopiando, rodopiando on the dance floor.

Mas não seria tão fácil. Sempre tem uma amiga que as levam para o outro lado. Estava satisfeitíssimo por ter dividido aquele momento com com a mulher de sua vida. E por acreditar piamente ser a mulher de sua vida, tomou uma iniciativa (logo depois que voltou do banheiro, que ninguém é de ferro e cerveja demais tem efeitos colaterais).

Chegou determinado. Bastou uma puxada decidida no braço para tudo começar a girar em volta dos dois novamente. Então, quase que naturalmente, de um segundo para outro, os olhares se cruzaram. Os rostos ficaram frente a frente. Os olhos castanhos e levemente puxados penetravam. Um beijo seria inevitável. Com isso, inclinou a cabeça e disparou.

Foi um encontro de lábios único. Digo único literalmente. Logo em seguida a amiga retornou a ação e ele retornou sozinho e cabisbaixo para seus amigos. E assim ficou. Sem beijo, sem telefone, sem cojones, boludo. Mas com muito amor. Amor de verdade. Amor para vida inteira.

Mas não se trata de coragem. Em sua cabeça, ela sempre o quis, mas condições químicas os impediram de realizar esse amor. Não pode ir além, pois poderia descobrir o contrário, poderia acabar com o encanto. Preferiu manter o sofrimento pela pouca chance da expectativa boa dar certo. Já que é isso que o alimenta. feeds him.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Let´s talk about will!

You can’t always get what you want

Mick Jagger estava certo. Todos queremos um milhão de coisas na vida que na maioria das vezes simplesmente estão fora do alcance. Desejos e necessidades que não dependem de você para se concretizarem, o que acaba deixando uma sensação de impotência e frustração por ter que ficar de mãos atadas.

But if you try sometimes well you just might find. You get what you need

Mas sempre tem aquela parcela de coisa que está ao alcance. Que só depende de ir atrás e conseguir. Mesmo que a possibilidade seja ínfima, você tem que dar as caras, tomar uma atitude e buscar o que deseja.

É por isso que nesta quarta-feira eu resolvi fazer alguma coisa. Contra o frio e as delícias de evitar a noite das quatro horas da tarde em Dublin e comecei a me mexer.

Desliguei o laptop, subi as escadas, coloquei minhas calças, cinto, mantive a camiseta, mas coloquei minha blusa com a numeração 26 comprada na Pennys e a jaqueta de frio intenso com forro interno laranja que minha mãe mandou do Brasil. Escovei os dentes, arrumei o cabelo, mas não me dei ao trabalho de apagar o carimbo da festa da noite passada que ainda está presente no meu braço. Peguei minhas chaves, carteira, celular e deixei minha casa.

Então eu caminhei até o supermercado, Tesco, e comprei um desodorante Adidas Ice Dive porque o meu tinha acabado. Pronto. Tomei uma atitude que efetivamente fará diferença nos meus dias. Quanto às outras coisas, eu deixo para mais tarde.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Let´s talk about feelings!

Nunca quis nem saber. Tinha 24 anos e nunca havia se acorrentado a um relacionamento comum. Não gostava de pressões, amores, bilhetes, cartas, bombons, pais, sogros, jantares, domingos e intimidade. Não era disso. Gostava de sábados, sextas, quintas e terças. Gostava de aventura, quantidade, diferentes gostos, formas e sabores. Gostava da conquista. Gostava da fama. Nunca um vinho para acompanhar, mas sim whiskye e Red Bull para esquentar.

Assim foi vivendo a vida. Conheceu Ana. Garota linda, simpática, de família. Não era bem o tipo que gostava, mas a encontrou em mais uma dessas baladas da moda. Não se importava muito por seu jeito delicado, mas sim pelos belíssimos pares de coxas que a acompanhava.

Outra coisa que sempre o atraiu foi o desafio. Sempre é melhor uma nova conquista do que requentar a velha, pensava. E Ana era o que podia chamar de grande desafio. Menininha certinha, não aceitou ir conhecer seu flat logo na primeira noite. Foram precisos um pub, um café e duas idas ao cinema até mudarem o local do filme para sua casa, no conforto de sua cama.

Dito e feito. Finalmente Ana aceitou. Filme, pipoca, coca-cola, beijos, carícias, empolgação... não deu outra, uma brilhante noite de sexo. Gostou dessa noite mais do que o normal, mas mesmo assim Ana nunca mais voltou a ouvir sua voz.

Em sua cabeça tudo fazia muito sentido. “Vai que eu começo a ficar com ela, dai como eu ia conseguir comer duas minas ao mesmo tempo? Um ser humano tem que ter suas prioridades”, se justificou para um de seus amigos mais próximos.

Não se considerava um canalha sem sentimento (apesar de saber que era). Mas a seu favor tinha o fato de não mentir para as mulheres. Sempre deixou claro sua posição de solteiro convicto. Era favorecido pela fase de mulher independente que todas passam quando chegam na idade adulta. Sabia que era papo furado, mas quem era ele para reclamar?!?!

E assim era as coisa. "Screw around" era com ele mesmo. Sempre em busca de seu tão sonhado cálice sagrado. E assim foram a Carla, Bete, Ana Paula, Carmem, uma italiana chamada Simona, entre outras. Todas foram relacionamentos passageiros. Algumas deram trabalho depois do fim, mas sua sinceridade o livrava da obrigação do dia seguinte e dos pesos na consciência.

Mas é claro. Toda história tem sua reviravolta e essa não foi diferente. Com Fernanda o sexo rolou na primeira noite. Minutos após se conhecerem. Foram boas duas horas de sexo e carícias, o que não era nenhuma novidade para ele. O que veio depois é que o mudou. As calças apertadas botadas com pressa e a vontade fora do comum da quase desconhecida ir embora mexeu com ele.

Quando se viu sozinho, semi-nú, sem nem um número de telefone e um beijo de tchau, quis aquela garota como nunca. E quando ele quer, ele tem. Se virou para achar o telefone, ligou, insistiu, saiu com ela.

Se sentia estranho. Queria aquilo mais do que o normal. Assim veio o terceiro, quarto, quinto, sexto encontro. Andava bebendo mais vinho e chope do que cerveja e cachaça. Via mais filmes do que ia pra balada. Seus amigos de Guerra já o estavam xingando. “Ooooo namorão”. Mas ele não ligava. Sentia alguma coisa pela primeira vez.

Tanto que uma vez a levou a uma festa com seus amigos. Era uma daquelas festas malucas regadas a drogas, sexo e Rock n´ Roll. Mas sua intenção era oficializar a relação para com todos seus amigos.

Estava apaixonado. Na festa não desgrudava dela. Recebia os olhares insinuantes de antigas fuck buddies, mas não ligava. Queria só fazer sua quase namorada feliz. Tanto que uma de suas antigas “amigas com benefício” veio reclamar com ele:

_Você não era assim. Preferia você quando ficava na bagunça. Não com essa branquela feia.
_ Não. Uma hora tinha que tomar um rumo.
_Vacilão. Bom, eu não sei... Só sei que estou subindo com uma amiga minha. Se quiser, pode se juntar à gente.
_...

....
_Amor, vou ao banheiro.

“Um ser humano tem que ter suas prioridades”

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Let´s talk about sex!

Tereza é uruguaia e como tantas outras pessoas provenientes da América do Sul veio para a Irlanda para aprender inglês, trabalhar, viajar e viver uma nova experiência. Quando decidiu mudar de país, estava cansada de sua vida e, principalmente, estava cansada dela mesma. O mesmo namoro, a perspectiva de uma vida real cheia de preocupações e a conta da Telemar para pagar (ou o equivalente de Montevidéu). Enfim, decidiu ficar um ano longe de tudo e de todos e aproveitar um pouco a vida.

Mas para ela não funcionava como para suas novas amigas. Enquanto elas perdiam a conta de quantos italianos, franceses, irlandeses, poloneses, brasileiros e até alguns uruguaios já tinham ficado, transado, saído, se relacionado por algumas semanas, ela estava lá, atrás no marcador. Nos cinco meses em que estava na Irlanda, somente um uruguaio, um argentino e um brasileiro souberam como é provar um beijo seu.

Para ela essas coisas não funcionavam assim, por mais que não gostasse muito disso. Tinha vontade de despirocar, pintar e bordar, dar pirueta, fazer tudo que sempre se privara. Queria enfim curtir a vida, como todas suas novas amigas faziam. Havia perdido muito tempo de sua vida engatando um relacionamento atrás do outro, nunca reservando um tempo para si mesma, para saber o que sente, o que gosta, o que desgosta. Sem saber como é, de fato, estar e aproveitar a vida de solteira.

Já tinha aceitado a situação. Conformada de que as coisas com ela eram diferente, estava aceitando o fato de não ser aquele tipo de pessoa e seguiu assim, tranqüila e satisfeita com a vida e aberta para o que viesse, mesmo se fosse um novo amor que substituísse o antigo (ou presente).

Mas ela tinha que dar um jeito. As coisas precisavam acontecer para ela. Então no dia 14 de junho tomou uma decisão. Não, nada de sair e dar para o primeiro que aparecesse. Isso não era coisa dela e até estava se sentindo bem por ser do jeito que era. Dias atrás havia perdido a possibilidade de aproveitar o show do Radiohead que havia aberto sua turnê européia tocando no Malahaide, parque irlandês que fica menos de meia hora de sua casa indo de Dart (um trêm urbano).

Mas não. Aquilo não podia ficar assim. Conferiu as datas das apresentações e lá estava. Dia 1º de julho, Westpark, Amsterdan, Holanda. Seria perfeito, era em uma terça-feira. Pediria folga em seu trabalho part-time como garçonete em um café, partiria no sábado de manhã, aproveitaria a cidade, ainda assistiria ao show e retornaria na quarta-feira pela manhã.

Foram 70 euros do ingresso, mais 150 de passagem ida e volta, mais uns 200 euros para gastar durante seus quatro dias holandeses. Era o equivalente a duas semanas de trabalho, mas para ela valia a pena. Trabalhava justamente para ocasiões como esta e um show do Radiohead era, para ela, seu lugar ideal no planeta, ainda mais em um parque de Amsterdã. Seria perfeito.

Aguardou ansiosamente. Faria toda a jornada sozinha, nenhuma amiga se prontificou a gastar essa quantia por um show do Radiohead. Apesar de a Holanda ser bem atrativa, esperavam ocasiões e oportunidades melhores, com promoções da Ryanair e tudo mais. Mas Tereza não se importou. Na verdade até gostou disso. Seria uma experiência nova e gostou do fato de se sentir tão independente.

Bom, enfim o grande dia chegou. Malas prontas. Dublin Airport. Aeroporto de Amsterdã Schiphol. Seguiu o protocolo. Queria aproveitar ao máximo. Visitou todos os museus que pôde. O Rijksmuseum, o Museu de Van Gogh, o Museu da Casa de Rembrandt, o novo Hermitage Amsterdam, o Museu de Arte Moderna de Stedelijk e a Casa de Anne Frank. Adorou os canais, os prédios históricos, o clima, as pessoas loiras que contrastavam com sua pele morena e olhos castanhos.

Estava curiosa sobre a famosa noite de Amsterdã, com os famosos coffee shop. Durante os quatro dias freqüentou muitos, até chegou a experimentar algumas fumaças, alguns bolos com coisas estranhas com seus amigos esporádicos, mas não lidava muito bem com suas alterações de sentido. Entrava em umas paranóias que não deixavam confortável. Em um de seus passeios até conheceu um italiano que achou muito interessante.

Porém, na maioria de sua vida noturna, vagava pelas ruas, se deparando com todo tipo de coisa, carregando somente a embriagues devido ao seu novo gosto por apreciar uma frasqueira de whiskey. Passeou inclusive pelo famoso “Red Light District”, com seus inúmeros sex shops, casas de prostituição. Chegou a entrar em um sex shop, mas ficou com receio de entrar no museu do sexo, algum show erótico ou coisa que o valha. Ficou um pouco assustada pelo fato de, assim como em sua adolescência, se atrair por algumas das mulheres que se exibiam nas vitrines.

Os três dias até a noite do show passaram rápido. Tinha até esquecido um pouco do seu lugar preferido no planeta. Em sua cabeça só a excitação de tudo novo que estava vivendo e uma incansável saudade de muita coisa que estava lá longe, no Uruguai. Uma sensação estranha de que não queria ter sentimentos. Praticava sua frieza, sabia racionalmente (e talvez sentimentalmente) que não queria a mesma vida de namoro do passado. Adorava estar e ser livre como nunca antes se sentiu. Mas a saudade daquele alguém uruguaio, com cabelo de argentino, não saia de lá. “Que droga!”.

No Westpark, chegou bem antes da abertura dos portões, mas a fila já estava formada. Posicionou-se tranqüilamente no final e não precisou esperar quinze minutos para sentir seu ombro ser tocado. Era o italiano que havia conhecido em um coffee shop dias antes. Depois de se reapresentarem, ele a convidou para se juntar a um casal de amigos pouco a frente na fila.

No dia em que conversaram pela primeira vez, nem comentaram sobre o show do Radiohead. Portanto, se fosse mais boba, Tereza acreditaria que seria o destino. Na verdade ficou espantada com a coincidência, e sentiu algo diferente que a percorria a espinha. Não era um tipico galã. De marca clássica italiana somente o nariz grande, mas nada do 1m90 ou da barba por fazer ou dos olhos verdes.

Gostou mesmo da companhia. Carinhoso, atencioso, parecia gostar dela, mas não ficava dando encima dela (diferentemente de todo italiano que já havia conhecido). Sempre se mantinha próximo, durante o show a privilegiava com o melhor lugar, a protegia dos fãs mais empolgados, sabia boa parte das musicas de cór.

E finalmente enquanto as caixas de som soavam “just 'cause you feel it doesn't mean it’s there”, um beijo naturalmente aconteceu. Nada muito intenso, somente um leve encontro de lábios. E entre uma música e outra, beijos e mais beijos. Tudo era muito romântico. O primeiro encontro perfeito em seu lugar perfeito.

Sua cabeça de uruguaia boba pensou que talvez poderia ser um novo amor. Pensou em como poderia manter um relacionamento com a distância com ele. Mas logo se lembrou de que não acreditava em amor a distância e seria uma substituição um tanto quanto que indevida. Portanto, com todas as certezas de incerteza futura, ela só queria saber de aproveitar o momento.

One night stand. Nunca tinha feito isso na vida. Mas acabado o show, com beijos e caricias esquentando. Com os hormônios em polvorosa, um convite para uma visita ao apartamento do amigo que estava hospedando o italiano foi aceito, mas não antes de uma certa hesitação.

Chegando a um flat muito charmoso em uma viela de Amsterdã, os anfitriões se dirigiram a um dos quartos enquanto os dois recém-apaixonados ficaram na sala. Duas taças de vinho depois, o fogo parecia incontrolável. Então chegou o momento de ir para o quarto. Nisso um filme passou na cabeça de Tereza. Nunca tinha feito isso na vida, mas só queria aproveitar o momento.

Não se permitiu a lembrar da última vez que fez sexo, pois surgiriam em sua cabeça uma má experiência de um sexo sem fim (literalmente) com gosto amargo de despedida. Tudo o que não queria no momento era sentimento. Queria só a carne. O gosto de suor com o hálito de vinho rosé.

Parou de pensar. Se entregou. Mão nisso, mão naquilo, pouca ação de boca, camisinha, beijos, papai-e-mamãe, tentativa frustrada de outra posição, papai-e-mamãe. Fim. Ele vai para o banheiro se livrar dos resíduos, ela permanece sozinha na cama. Não demorou dois segundos, correu para vestir sua roupa. Se sentia mal nua daquele jeito. Não sentia arrependimento, mas não sentia nenhuma satisfação. Não tinha sido ruim. Se não se engana, ela talvez até tenha chegado a gozar. Não tinha muita certeza. O italiano foi ótimo, se não conhecia os seus movimentos e do que gostava ou desgostava, ele foi carinhoso. Foi tão carinhoso como uma pessoa que faz sexo com uma desconhecida pode ser.

Quando o italiano voltou, Tereza já estava quase que completamente vestida. O sutiã ainda estava jogado no chão, o que a deixou com uma tremenda vergonha, e sentia muito frio. Não podia ir embora. Não saberia como sair dali e confiava na promessa de chegar ao aeroporto na manhã seguinte com uma carona dessa pessoa que agora dividia aquela cama de casal.

Nem o corpo insistente do italiano a esquentava agora. Sentia muito frio. Só queria virar de lado e dormir. Queria sonhar. Queria ir embora. Queria estar no frio do inverno uruguaio. Só queria voltar para a cama de solteiro que costumava dividir quando estava em casa e se sentia quente.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Quem sou eu e por que eu escolhi o jornalismo como profissão

Depois de meses de estágio voluntário finalmente me surge a grande oportunidade: “Quer trabalhar na Federação Paulista de Futebol?”. Enfim um trabalho remunerado. Meu esforço seria a partir de então recompensado monetariamente e trabalhando em um lugar onde um sem número de pessoas do país do futebol gostaria de estar. Ter acesso a partidas de futebol, jogadores, dirigentes, técnicos e todos os que aparecem diariamente no diário esportivo de sua preferência.

Mas se passou mais de um ano e uma suspeita de início se confirmou. O esporte não pode ser minha vida. Nada contra o futebol, que me dá inúmeras alegrias e tristezas, mas contra a essência da minha concepção do jornalismo que quero fazer.

“Que bom que você trabalhar com esporte. É o que você sempre quis né?”. Na verdade não, mas não culpo quem me imagina desta forma. Boa parte dos rapazes que gostam de futebol e conversam de futebol querem um dia trabalhar com futebol. Não é o meu caso.

O esporte muda a vida das pessoas. Tornar-se um grande atleta tira um sujeito da pobreza do dia para a noite e, neste contexto, brilhantes histórias com brilhantes personagens podem ser contadas (isto falando do jornalismo esportivo de qualidade que se interessa por histórias individuais e não somente pela frivolidade do dia-a-dia).

Porém apenas uma pequena porcentagem se torna protagonista destas histórias, outros milhões seguem como coadjuvantes. Contar a história e a problemática destes que normalmente são os coadjuvantes é o tipo de jornalismo que eu quero fazer.

Não exatamente dos que tentaram o esporte. Mas normalmente dos que tentaram a escola, que tentaram a criminalidade, que tentaram o emprego informal ou que não exige formação, os que tentaram mesmo sem grandes oportunidades e de uma forma ou de outra conseguiram algum tipo de “sucesso” profissional e pessoal. O lado social é o que me encanta.

Eu, filho de uma família bem estruturada, sempre tive a meu dispor, às custas do suor dos meus pais, as portas abertas para todo o tipo de oportunidade para que eu alcançasse a profissão que eu desejava. Tornei-me jornalista.

Diferente de mim, nem todos têm essas oportunidades. Boa parte de futuros bombeiros, escritores, astronautas, músicos e cientistas param no meio do caminho, ou antes mesmo de começar, pois inúmeros fatores os impedem de seguirem seus sonhos.

Cabe a mim trabalhar para que a sociedade, que me deu oportunidades e às tira de outros, reverta esta situação. Para que todos possam se tornar os bombeiros, escritores, astronautas, músicos e cientistas do futuro.

Mas como eu poderia fazer esta contribuição? Denunciando os males e tentando de alguma forma abrir os olhos da sociedade para todas suas “doenças”, mas que grande parte das vezes passam longe dos seus diagnósticos e quase ninguém fica sabendo até que entre em um caminho sem volta.

“Mas não é muita pretensão querer mudar o mundo todo?” Sim. Mas antes a pretensão que a omissão. Antes entrar em uma batalha cujo objetivo é difícil de conseguir a desistir antes de dar o primeiro passo. Até porque, se nessa luta você consegue mudar o rumo de uma pessoa, você já começa a ganhar essa guerra.

_________________________________________________________________

Este texto foi escrito para a inscrição no Curso Abril de Jornalismo.


Sem palavras

terça-feira, 17 de julho de 2007

'Parâmetros problemáticos sem solucionáticos'

Só uma revolução muda esta porra toda.

Eu explico.

Hoje, 17/07/2007, um avião da TAM derrapou no Aeroporto de Congonhas e depois de uma série de tentativas frustradas do piloto, bateu em um prédio da própria TAM e explodiu tudo. Morreu todo mundo.

Eu não sei quanto um prédio custa nem quanto um avião custa nem a vida de um monte de pessoas custa. Mas, deixando as pessoas de lado. Deixando a tragédia de lado. Vou explicar porque só uma revolução muda essa porra toda. E não é a crise aérea deste país, mas a crise social deste país e do mundo (ou do mundo não, pois em cada canto, cada país vive seu ‘parâmetro problemático sem solucionático’ especifico).

Dia 22/03/2007, uma quarta-feira chuvosa, um avião da BRA derrapou em uma das pistas do Aeroporto de Congonhas e a Infraero disse: “chega”. A pista foi interditada para ser submetida a algumas reformas para diminuir as derrapagens (tinha sido a quarta). No dia 29 de junho a obra ficou pronta, mas (sempre tem um ‘mas”) não ficou tudo pronto. O serviço de grooving, que são ranhuras na pista e servem justamente para aumentar a aderência dos pneus das aeronaves, ainda não foi feito.

Pelo aeroporto de Congonhas passam 80% dos vôos no Brasil e por ali circulam diariamente 47 mil passageiros. Sua importância é estratégica, seja em conexões, escalas ou pousos e decolagens. “Pera aí. Estamos perdendo muito dinheiro. Não dá”, pensou o pessoal da TAM e de outras empresas aéreas. “Libera logo essa porra”, completou.

“Tá firmão”, respondeu a Infraero. Mas para a imprensa respondeu: “por ser o período de inverno e tempo seco, não haveria problemas com a falta do grooving, que só deverá ficar pronto no fim de setembro”.

Pois é. Está chovendo desde domingo. Estamos em julho, logo, setembro está longe. Essa garoa chata intercala com momentos de chuva forte causando estranhamento para a população paulistana. Causou também a derrapagem de um avião da TAM, que, depois de uma série de tentativas frustradas do piloto, bateu em um prédio da própria TAM e explodiu tudo. Morreu todo mundo.

Irônico né?

Mas não vou entrar no mérito das quase duzentas pessoas que morreram. Vivo em um mundo capitalista e vou pensar com essa cabeça. Nessas horas que eu percebo que a nossa querida Rosa Luxemburgo (andei lendo) tinha razão. O capitalismo cria suas próprias crises, o que o torna um sistema insustentável.

Falta explicação né? Aqui vou eu.

Ninguém quer perder dinheiro. “Nem eu que sou bobo” (diz a frase popular). Nem eu que estou escrevendo um texto pretensiosamente anti-capitalista. Nem nosso querido Ernesto gostaria de perder dinheiro. A TAM também não queria. Apressou tudo, junto com as outras. “Estamos perdendo passageiros. Essa crise está nos fazendo perder passageiros. É grana no bolso indo embora. Abre logo essa pista”. Ninguém contava que ia derrapar. Ninguém contava que ia explodir. Mas explodiu.

“Que prejuízo heim rapaz”.
Pois é.

Eu não sei quanto custa um avião nem quanto custa um prédio (também não sei quanto custa as vidas nem o sofrimento das famílias nem todo o resto), mas eu sei que não é barato. Eu sei que no final, capitalisticamente (me dou a liberdade de criar palavras), o dono da TAM não está feliz na noite desta terça-feira fria e, infelizmente, chuvosa, afinal, um prédio e um avião traz prejuízo maior que o do atraso das obras da pista, sem contar as indenizações. “Ô dor de cabeça”.

(Deixando bem claro que o dono da TAM é só um personagem. Poderia ser qualquer outro de qualquer outra empresa grande deste país [já que meu foco é este país]. Nem sei quem é o arrombado do dono da TAM nem minha curiosidade pesquisatória me levou a procurar).

Está constatação é bem comum diante de tragédias. Mas posso lembrá-los de episódios que freqüentaram nosso recente noticiário e remetem a situações de cunho semelhante. (A semelhança principal é de que está tudo errado).

Alguns rapazes deixam uma festa (ou um boteco, balada, qualquer coisa) e estão passando de carro:

“Olha, uma puta”.
“HAHAHA”.
“Vamos zoar ela?”
“VAMO”.

Os quatro descem do carro:

“Sua puta”.
“...”
Um empurrão
“...”
“Vamos roubar a bolsa dela”.
“Só”
“Não!!! Larga!!!”
Um soco, um chute, outros golpes, bolsa roubada.

Já no carro:

“Puta mano, machucamos ela!”
“Foda-se. É puta mesmo, pega nada”
“Mas, mano, você não comeu uma a semana passada”
“Tem que comer e bater mesmo. Elas gostam”
“E se ela chamar a polícia?”
“Chama nada. É puta. Pega nada”
“É pega nada”

Ih. Dessa vez, estes jovens deram azar e bota azar nisso. Não era puta. Era uma empregada saindo cedo para ir ao médico. “Mas desde quando bater em pobre tem problema?”. Um taxista viu e anotou a placa. Dia seguinte: “Se fudeu playboy. É Cana”.

Todos presos (ou quase todos). “Meu filho é uma criança, não posso misturar ele com bandido?”.

Este é o ponto.

Definição de ‘bandido’:

Roubou para comprar comida – ‘bandido’
Roubou o relógio do seu filho usando um canivete – ‘bandido’
Traficou drogas – ‘bandido’
Foi roubar uma padaria, pensou que o caixa ia reagir, atirou e matou – ‘bandido’

Definição de ‘Menino que não sabe o que faz’:
Bater em pessoas indefesas na rua – ‘menino que não sabe o que faz’
Roubar uma câmera digital de um colega dentro de um colégio particular bem caro – ‘menino que não sabe o que faz’


A verdade é que dentro de uma prisão, dentro de uma cadeia, existem pessoas com o “grau de bandidagem” bem menores do que o dos quatro garotos.

“Ahh.. vai dizer que quem rouba e mata é melhor que esses que bateram?!?!”

Vou

Ou melhor. Não digo melhor ou pior. O problema é a natureza da ação.

Eu sou um jovem. Tenho 18 anos recém-completados.

“Vamos fazer um rolé gringo hoje?”
“Pô. Nem tenho grana”
“Vai todo mundo”
“Nem tenho grana”

Pá. Seqüestro relâmpago. “Já era playboy”. Arrumei cem conto, vou para a festa. Antes de chegar. “O neguinho” (meu tom de pele é até que claro, sou mais claro que o Ronaldinho, e ele não se diz negro). “O neguinho, sujou para você. CANA”. ‘Bandido’

Eu sou o tipo de cara que o pai do nosso ‘menino garoto que não sabe o que faz’ não quer convivendo no mesmo ambiente que seu filho.


Posso dar mil exemplos. Posso dar mil situações onde a pressão social fez um rapaz deixar de lado o que sua humilde mãe lhe ensinou (todos têm sua “Dona Ana”) e apostar no atalho para conseguir o que queria. Seja um tênis, uma namorada, um carro, um status, uma balada, um relógio, um celular, outra arma, mais amigos...

Qualquer atalho para atingir o objeto de desejo não é pacificamente aceitável, mas é justificável. Dá para enxergar com outros olhos, que não o do andar de cima da pirâmide social. Sem o ‘eles’ e o ‘a gente’.

“Mas, olha quanta gente consegue fugir do nada e ficar rico, ser importante”.

É verdade. Mas você não pode julgar, porque você não sabe como reagiria. (Eu digo você porque qualquer pessoa que tem a oportunidade de perder tanto tempo lendo um blog na Internet tem mais oportunidades de não precisar do ‘atalho’ que as pessoas em questão)

Mas voltando a nossos quatro ‘bom vivant’. Na natureza da ação, estes são simplesmente maldosos e tem um coração ruim. Não dá para entender nem justificar a ação deles. Ao contrario da turma dos sem-oportunidades-que-buscam-um-caminho-para-se-inserir-ao-capitalismo, cujas motivações são bem claras. Ninguém gosta de ser ‘bandido’ muito menos de ser bandido.

Com certeza você concorda comigo.

Mas, dos dois, quem vai sair primeiro da prisão? Mesmo que o juiz de pena igual para o ‘menino que não sabe o que faz’ e para o ‘bandido’. Quem sai depois de dois dias?

Lembra dos ‘meninos não sabem o que fazem’ de Brasília, que já não sabiam o que faziam há muito tempo e colocaram fogo em um índio. O que aconteceu com eles. (refrescando sua memória: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/07/387617.shtml)

“Não pega nada”

“Mas e o nosso presidente? Eu não gosto dele, mas ele é um nordestino, ex-metalúrgico, ex-sindicalista, ex-socialista, que chegou à presidência do Brasil mesmo sem ter um dedo.”

É pessoal. Chegou. Louvável. Eu não votei nele. Não. Na eleição eu não tinha título de eleitor, na reeleição mudei de opinião dias antes. Mas a trajetória é louvável. (Mesmo o dedinho não sendo um dos dedos mais importantes. Queria ver ele chegar aonde chegou sem o polegar opositor).

Eu torci para dar certo (ainda torço). E em muitos aspectos deu. Em muitos aspectos o “nunca na história deste país” dele é verdade. Mas todos os crimes de que ele é culpado (disse culpado, então mensalão, mensalinho, sanguessuga e todo o resto não contam) comprovam minha tese.

Ao ler que nosso querido Luiz Inácio Lula da Silva fez aliança com o PMDB, apóia nossos não menos queridos Maluf, Collor, Severinos, Calheiros. Ao ver que em seu governo “nunca na história desse país” os bancos privados lucraram tanto, “nunca na história desse país” o número de pessoas milionárias cresceu tanto...

Tendo em vista tudo isso aí, que conclusão que eu chego?

Só uma revolução muda esta porra toda.

Explicado? Não né?

Ps.: Ao fim das investigações, CPI’s e tudo mais, sabem quem vai ser o culpado do acidente do avião da TAM? O piloto. Tá morto mesmo. Quem são os culpados pelo acidente da Gol que desencadeou toda a crise aérea que dura até hoje? Os pilotos americanos. São americanos mesmo, estão lá longe e nem vão se dar ao luxo de se defender. Eles vão ficar no país deles, onde são heróis por terem conseguido evitar a queda do avião portando carne de primeira: mais americanos.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Inferno Astral

“O período conhecido popularmente como "Inferno Astral" é o mês que antecede o aniversário de alguém. Nesta época, muitas pessoas acreditam viver momentos de angústia, depressão ou até mesmo azar, atribuindo as turbulências a alguma configuração astrológica misteriosa.

O aniversário nada mais é do que o marco de um novo ciclo solar na vida de uma pessoa, ou seja, o Sol passa pelo mesmo ponto do Zodíaco que estava quando ela nasceu, sinalizando uma nova etapa para a sua consciência. Os dias que antecedem esta renovação são exatamente os últimos do ciclo anterior que a consciência vinha atravessando.”*

De fato. Os Astros estão agindo e fazendo de minha vida uma miséria diária. Todo o sofrimento, dor, insatisfação, desgosto, azedume, todo o fel que sinto em minha boca, o chulé, o péssimo corte de cabelo, o mau hálito, a dor de barriga, o vômito por ter bebido demais, nada disso teria acontecido se não estivesse no período que abrange os 30 dias que antecedem a data do meu nascimento.

O ciclo solar realmente interfere na minha vida diária. São 30 dias de desafios diários e os desafios foram comuns em dias anteriores. Vou explicitar os acontecimentos de anos anteriores por meio de meu tão simpático antigo blog.

Vamos, juntos, analisar a pessoa que vos fala com uma ótica de quem o conhece há pouco e precisa se basear em escritos antigos para ter uma real impressão sobre sua pessoa.

Vamos lá:

“19/06/2002 23:08

e aeeeee!!! firma?? huaauhauhuaaaa

Intaummmmm, eu num ia escreve hj akiii, ate eu le o blog do fafa, e ele me feiz penssar em 2 coisa:

1) eu concordo plenamente com ele, os amigos saum a coisa mais importante do mundo p/ mim, e eu era estremamente criticado, ate com razaum queando eu falava dos marroneys, eu era estremamente chato, pq eu naum sabia me espressar direitoo.

Eu naum queria dizer q os Marroneys saum os karas mais fodas do mundo,q eles saum melhores q os outros e talz, ate pq eu tenho otimos amigos q naum saum marroneys, mais isso naum quer dizer q eu gosto menos deles, eu falo q os marroneis saum super fodas e saum super legais, pq eles saum meus amigos uai, num eh dificil d me intende, eu num vo c amigo d perdedores e chatoss, eles saum meus amigos, saum os melhores amigos q uma pessoa pode ter, eu falo dos marroneys pq eh uma forma d generaliza, mais eu gosto d todos os meus amigoss igual, com algums eu tenho mais intimidade, ou uma relacaum mais proxima, mais c tive um problema com qq um deles eu vo c o primeroa ta la p/ tentar resolve-lo,seja da maneira q for, e sim eu tenho um PUTA ORGULHO D SER UM MARRONEY, e num importa c vc acha uma merda ou acha super legall, eu so um e vo continua sendo um, o quanto for possivel.

2) Meu blog ta fikando obsoleto, no comeco da onda blog, meu blog era super legal, com textos ingracados, e varias historias d peripercias minhas, mais com o passar do tempo, apesar d eu vive constante aventuras, elas naum saum diarias, e nos dias q eu naum fazia nada de util meu blog fikava uma bosta,e foi piorando cada veiz mais, intaum, eh isso q eu qeuro muda, ao contrario d outros blogs eu num vo para d conta oq eu faco no meu dia a dia, e minhas trakinagens, pois o meu blog o objetivo principal dele eh q vc me conheca kada veiz mais, soh q a diferenca eh q antes eu soh me preocupava coma amaneira d agir, amsi agora eu pretendo expor minha maneira d penssar, naum espere coisas muito legal, ou interessantes, ou bem escritas, pois eu me acho interessante, amsi eu naum seic vou conseguir expor tudu q eu pensso aki, ammsi eu vo tenta, esse foi apenas a introducaum, uma especie d "Manifesto Revolucionario Blogstico", e espero q com o tempo fike melhor, o fafa conseguiu seu objetivo, eu pretendo conseguir o meuu, e eh isso... isso eh oq eu tinha p/ dizer por hj, espere por blogs futuros, e por coisas do seu interesse.

Boum por hj eh soh isso q eu tinha p/ dizer... ate mais, e eu espero q vc deixe um comentario falando qq coisa, e tb esperoq vc naum pensse q eu to pagando pau p/ o fafa ou p/ qq outro, pois eu anum to, eu soh num vejo problema d copiar bouas ideias, oq eh boum temq ser utilizadoo.... bejaumzacoo!!!!!!

enviada por Felipe!!” **

Revivo a data de hoje, cinco anos atrás. Não, inteligência não é o forte do autor das palavras supracitadas. Erros de gramática, pontuação inexistente, a tão infeliz, digamos assim, linguagem dos jovens da geração Internet, maltratam meu gracioso e diário português.

Mas o que são erros de Português? Como disse o já anteriormente citado membro da Academia Brasileira de Letras, Paulo Coelho: “Separar sujeito e predicado não vai mudar a ordem dos astros” (ou qualquer outra bobagem assim). Bom, não concordo com ele, mas vamos a uma analise psicológica da pessoa que vivia naquela época tão distante.


Esta pessoa estava no segundo ou terceiro colegial. Varia de acordo com a fonte consultada. Nota-se uma pessoa profundamente incomodada com criticas recebidas (criticas muito bem colocadas). Uma pessoa que se preocupava com os amigos que o faziam bem naquele período de vida do jovem e que o tempo o provou que “não é bem assim”.

Esta resposta evidencia o maior conceito deste aparentemente jovem ser humano: Ele tenta fazer parecer que não se importa com a opinião dos outros. Tenta mostrar para os mesmos que opinam sobre sua vida que não se importa com a opinião deles. Percebem quão contraditória é a posição deste sujeito? É meus caros leitores! Os jovens seguem um padrão de comportamento em que querem mostrar toda a rebeldia e descomprometimento para com a sociedade que os cerca, mas acabam tão imbuídos em mostrar este “estado de espírito” que colocam isso a frente desta “rebeldia”. Este tipo de comportamento, conforme explica Freud, se denomina idiotia aguda. Este estado quase sempre é recebido com bastante diversão e algum tempo perdido com “crises” internas inúteis.



“22/06/2002 03:01

Booummmm, hj eh meu Aniverssario!! parabens p/ mim, intaum qq c espera do dia do seu aniverssario??????

Q seja um dia estremamente feliz

Q vc veja todos seus amigos

Sinta como eh queridoo

E q nesse dia vc seja a pessoa mais especial d todas

Pelo menos era isso q eu esperava quando eu planejava esse dia a quase uma semana atrais

Mais naum foi bem assim, pelo menos eu naum em senti assim

Meu dia ja comecou com uma decepcao tremenda q akabo com quase meu dia intero

Eu naum poderia estar com a pessoa q eu masi queria ta nesse dia especial

Um dia emq eu queria dividir com a pessoa q eu gostoo, e nadaa, num dava, essa pessoa naum ia vim me ver

Vc num tem nocaum d como eu fikei na hora

No dia do seu aniverssario vc espera q todos soh tenhaum olhos p/ vc, tudu q as pessoas q vc gosta facaum seja virado p/ vc

Em muitos momentos eu senti isso

e eu agradeco muito aos meus amigos q me fizeraum sentir assim

mais pela pessoa q eu mais me importava, q eu mais queria q c importace comigo, parecia q num tava nem ai

foi fodaa, depois eu fui p/ seattle foi um povinho laa, todo mundo meio desanimado, e pouca gente la, talveiz por ser de tarde, talveiz por eu ter avisado em cima da hora, soh seiq eu me senti menos querido q eu achava

eu num sei, talveiz por estar meio desanimado, eu tava achando td uma bosta

Naum falo isso pros meus amigos q ficaraum la, do meu lado, agradeco muito eles

Eu achoq no fundo era euq naum tava bem, eu ate tinha ido la com o intuito d bebe p/ kacete

mais eu naum consegui

Num consigo beber quadno eu naum to bem

Por mais incrivelq pareca eu associo bebida com coisas bouas

eu bebo quando eu to feliz

e num era minha situacaum

BOUM

soh seiq nois fikamo la, elgums mmentos legais algums naum tantoo

e eu voltei p/ casa fikei um tempo e fui p/ sossa

tinha a festa da Amanda p/ i, mais nem rolavaa, num tava nem afim

soh seiq la na sossa eu encontro a Livia

Conversei com ela

Briguei com ela

Chorei com ela (sim eu chorei, so gay??? eu aum acho, eu tenhu sentimentos, e num tenho medo d demonstrar)

Por pouquicimo naum akabamos tudu

mais naum

td fikou bem

solucionamos o problema?????

NAUM

Porem percebemos q agente c gosta p/ kacete, e ia c muito pior fikar sem ela

eh claroq eu espero q ela repensse a atitude dela, mais eu gosto dela, e qeuro fika com ela

seja como for

seja passando muito, muito, muito nervoso

masi os momentos q eu to com ela saum estermamente boums, e superaum e compensaum todas as outras coisas q eu passo

Afinal num eh dificil me agradar, eu me considero uma pessoa taum simples, eu soh quero me sentir amado, notar q a pessoa c importa comigo e q c preocupa c eu to bem ou naum, isso naum soh com minha namorada, mais com meus amigos e as outras pessoas

Soh sei q depois dessa converssa meu rostinho lindo voltoua sorrir

Quase td fikou bem, pq numka vai ta td bem, essa eha graca da vida

eu ainda fui em uma festa, e voltei p/ casa

Aotodo o dia foi boum, num foi estremamente feliz, mais me feiz repenssar muitas coisas

talveiz tenha ate penssado varias besteiras

Talveiz seja muitas cismas da minha cabeca

mais eu me senti assim e num eh agradevell

mais eu reconheco quem c importa, e pela terceira vez obrigado p/ essas pessoas

Eu sempre vo gosta dos meus amigos mais doq qq coisa na minha vida

soh espero q vc q me considera um amigo, continue meu amigo por muito muito muito tempo...

Ah e p/ quem naum conseguiu percebe ta td bem comigo e com a Livia, to amis namoraum doq numka, ainda bem, e gosto kada dia mais dela....

boum eh issooo, esse foi meu aniverssario, meio melancolico, meio triste, muit divertido em algumas horas naum mencionadas aki,

foi mais um diaa!!!

Foi mais uma coisa diferente q eu vivi!!

Eu soh tenho q tirar a parte boua e ignorar a parte ruim, pois soh assim c eh felizz!!

E EU SOU FELIZZZ!!!!!!!!!!

ah e eu sei q foi muito confuso isso td, muito bobo, e muito mal escrito, mais faze oq, eh isso qq eu facoo e sei laa, esperoq vc goste mesmo assim, e meus milhares d erros ortografikos naum saum todos culpa minha, meu teclado num tem acento nem ceddilha, intaum eu tenhoq escreve errado p/ da a mesma sonoridade a palavraa....

Escrevi demais ja, Dexa um comentario ai, eu fikaria felizzz, eh isso..... beijossssss!!!!!!!!!!!!

enviada por Felipe!!” *



Poucos dias se passaram depois do primeiro texto analisado. Este é o exato dia do aniversário do nosso objeto de estudo. E notamos ai uma diarréia mental do ser em questão. No final ele até tenta se desculpar pela seqüência de bobagens escritas. Porém este sem número de bobagens revelam uma profunda tristeza deste ser humano.


Desilusão amorosa (que não era tanto amor assim, ou nenhum amor, segundo fontes) e expectativas exageradas fizeram deste rapaz (será que é rapaz mesmo? O modo de escrita se assemelha ao de uma garota de 13 anos) uma pessoa infeliz, o que pode ser agravado em ocasiões especiais como o aniversário.


Este ser humano precisa aprender algumas lições. Lições estas que vão ficar implícitas.





“21/06/2003 13:53

Vivaaa!

Hj é o glorioso dia do meu aniverssário!

Dia 21 de junho, oo primeiro dia do inverno, primeiro dia do signo de Cancêr!

Alegria Alegria!

Eeeeeu gosto de aniversário!! sei lá! um dia que eu me sinto tão importante, sinto que todas as atenções deveriam estar voltadas para mim!

Renasce tantas expectativas, esperanças, as perspectivas mudam, ee sempre esperando que algo mude, algo maravilhoso e magico aconteça! é tipo ano novo!

Maaaas nada acontece! hauahu!

Algo um tanto quanto tragicomico!!!!

Ams é dia de festa!(não literalmente).

Ahh é apenas um dia normal que eu estou com uma disposição extra de diversão! e é melhor que nada! estou disposto a sexo, bebidas, amigos! hauahu! maas eu sempre too!

Éestou chegando a conclusão de que será mais um dia comum!

Mas espero me surpreender!

Espero que as pessoas com as quais eu convivo(ou nem tanto) me dêem motivos de tal alegria!

Pois eu to cansados dos meus dias comuns! ee tal!

Koehh Felipe??

É dia de festaaa!!!!

portanto........

“Deixa eu brincar de ser feliz

Deixa eu pintar o meu nariz’

Ps.: Estou completando meus 18 anos, agora sou maior de idade, posso beber, tirar carta, ser preso!

No papel sou um homem! maaaas só no papel! agora eu preciso em portar como um homem!! maaaaaaas a pergunta é........Será que eu quero issu???

enviada por Felipe!!” **

Mais um ano se passou. Fica claro neste texto que o ser em questão completa 18 anos e parte para a maioridade. Porém todos vemos que o individuo está longe de encarar a vida adulta, embora o mesmo dê a entender que deixou a adolescência.

Notem a tristeza das palavras disfarçadas com o entusiasmo do aniversário. O sujeito tenta fazer parecer que está feliz, mas no fundo guarda um sentimento atroz, o mesmo que revelou nos relatos de faz-anos anteriores.

“Não somos marionetes. Somos seres co-criadores, somos co-participantes do ato de criação e de produção na vida. Se somos "regidos" por alguma coisa, é porque essa coisa ainda não foi percebida por nossa consciência, mas ela faz parte de nós, sem dúvida. À medida que nos tornamos mais e mais conscientes, também nos tornamos mais capazes de tomar o destino em nossas mãos.” *

Descordo.

(Não gostei do resultado. Não será publicado) – 19/06/2007

(Continuo não gostando, mas mudei de idéia) - hoje

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Desisto. Culpa. Futuro

Escrever. Lá vou eu para um post metalingüístico,.assim como o segundo deste blog: a introdução. É complicado escrever, principalmente para quem gosta. Para quem não gosta este é um trabalho árduo e chato, mas acaba saindo. Para quem gosta a tarefa é, às vezes, dolorosa.

Desisto.

A culpa:

A culpa por tudo que acontece no mundo é sua. E minha também. É isso.

Futuro:

Eu poderia utilizar este espaço negro com letras brancas (isso quando você lê, porque quando eu escrevo é no fundo branco em uma moldura bege insossa) (na verdade eu escrevo no Word e depois passo para a tela bege e insossa, mas o Word você sabe como é) para escrever meus planos de futuro. Tudo que eu sempre quis fazer e nunca fiz. Todos os planos a curto, médio e longo prazo. Como eu me vejo daqui a uma semana, um mês, um ano, uma década.

E lá vou eu:

1 dia:

Nesta terça-feira (05/06/07 – seqüência legal né?) a minha maior expectativa é quanto ao jogo do Brasil. Esta expectativa é reflexo da minha comum e rotineira e trivial rotina “em um exercício monótono, monotemático, monoteísta da minha vida” (parafraseando você não sabe quem.. ou sabe.. é fácil descobrir).

É, de resto, meu plano para a terça-feira é ir na faculdade como na maioria dos dias e, como na maioria dos dias da minha vida em que eu vou na faculdade, sem saber muito bem se terei algo a fazer.

Também tenho uma obrigação. Quem disse que não? Tenho que devolver a biblioteca o livro: “Manicômios, prisões e conventos”, de Erving Goffman. Escrito em 1961, este livro é resultado da experiência do autor no período em que foi membro visitante do Laboratório de Estudos Sócio-Ambiêntais do Instituto Nacional de Saúde em Bethesda, Maryland, EUA, do outono de 1954 ao fim de 1957. Durante parte deste período, nosso querido Goffman (procurei no dicionário e a palavra Goff não existe, mas sim Guff. Conversa fiada. Então, pressupõe-se que o conteúdo do livro não vai muito longe disso. Ou não) estudou o comportamento de cerca de 7000 internos do Hospital St. Elizabeths, Washington, D.C. O objetivo era observar o “mundo subjetivamente vivido” pelo internado.

Minha relação para com esse livro era ler o primeiro capitulo: As Características das Instituições Totais. Segundo o autor, instituições totais são aquelas que compõe nossa sociedade ocidental (do lado de lá do mundo é outros 500) se caracterizam pelo seu fechamento “ou seu caráter simbolizado pela barreira a relação social com ou mundo externo e por proibições À saída que muitas vezes estão incluídas no esquema físico – por exemplo, portas fechadas, paredes altas, arame farpado, fossos, água, florestas e pântanos.” (Vejam que este livro é velho, não deve mais existir pântanos que protegem nada. Não existem mais muitos pântanos. Estão secos, aquecimento global, ta ligado né?).

Então, precisava ler este livro, pois ele poderia me acrescentar no meu trabalho de conclusão de curso, que é sobre pessoas que deixam um exemplo destas instituições totais: as penitenciarias. O livro me foi sugerido para que eu conhecesse a realidade de quem vive em uma instituição fechada como essa e de que forma ela é afetada com essa estadia pelo local.

Apesar de bem antigo, a obra se mostra bastante atual, trazendo conceitos que eu julgo deveras interessante e importante para meu aprofundamento teórico prévio a realização do trabalho, cujo nome foi brilhantemente definido por “Livre das grades, refém da cidade”.

“Os participantes da equipe dirigente tendem a sentir-se superiores e corretos; os internados tendem, pelo menos sob alguns aspectos, a sentir-se inferiores, fracos, censuráveis e culpados”. Com o tempo você vai entendendo os motivos para a existência de instituições organizadas que existem para defender o direito e o bem-estar dos presidiários, como o Primeiro Comando da Capital.

Outro: “Aparentemente, as instituições totais não substituem algo já formado pela sua (do interno) específica; estamos diante de algo mais limitado do que aculturação ou assimilação. Se ocorre mudança cultural, talvez se refira ao afastamento de algumas oportunidades de comportamento e ao fracasso para acompanhar mudanças sociais recentes no mundo externo. Por isso, se a estada do internado é muito longa, pode ocorrer, caso ele volte para o mundo exterior, o que foi denominado ‘desculturamento’ – isto é, ‘destreinamento’ (igual o Ramelão falava) – que o torna temporariamente incapaz de enfrentar alguns aspectos da vida diária”. E, depois de 30 anos confinado em uma cela com 30 homens suados, exige-se que o sujeito saia, arrume emprego e compre uma casa, constitua família e seja feliz para sempre e siga a risca o “American way of life”.

Outros pontos muito interessantes, que poderiam engrandecer em muito meu trabalho e, porque não, meu desenvolvimento pessoal, são apresentados neste livro. Eu digo poderia, pois, no lugar de me dedicar a leitura, eu passei meus finais de noite jogando “Chanpionship Manager” e levando o Palmeiras virtual ao virtual título da Libertadores e da Copa do Brasil, mas nunca conseguindo manter a regularidade na campanha virtual do Campeonato Brasileiro virtual e no Campeonato Paulista virtual, o que gerou a insatisfação do meu virtual presidente Mustafá Contursi e minha posterior demissão. Mas tem nada não, é só fazer o virtual (CENSURADO) abandonar a carreira de treinador virtual e criar outro (CENSURADO) virtual e escolher o Palmeiras virtual para iniciar a carreira de treinador virtual.

A terça-feira (05/06/07) é mais longa do que vocês imaginam. Findo o período de aula, enrolarei até o momento de minha alimentação do final de manhã. Não sei se é almoço, pois 11h30 em um mundo ideal será momento de tomar café da manhã. (Na verdade acho que aí está minha felicidade profissional: tomar café da manhã às 11h30). Então, sigo sozinho ou acompanhado por (CENSURADO) ao Vermelhinho ou ao Centro de Convivência. Lá solicito que me tragam um filé de frango à parmegiana, panquecas ou uma lasanha. Após uma refeição com pouca conversa, seja sozinho ou acompanhado, aguardo mais um tempo até o momento de minha carona chegar e partir rumo ao meu local de trabalho de todos os dias das 13h às 19h.

O caminho para o trabalho sempre me reserva surpresas. O programa escolhido no rádio, as notícias sem assunto do “Lance” e as interessantes conversas, tão sem assunto quanto, entre duas garotas que apanham o mesmo carro que minha pessoa para seguir a trabalhos diferentes do meu. Entre estas surpresas, tento me concentrar em dormir durante estes aproximados 43 minutos. Porém quanto maior a concentração, mais o sono se afasta.

O carro chega já com dois passageiros a menos. As garotas ficaram pelo caminho e (CENSURADO), minha pessoa e, às vezes, (CENSURADO) adentramos o prédio do órgão máximo do futebol paulista, a gloriosa Federação Paulista de Futebol. Local da organização do principal campeonato estadual do país, (CENSURADO) que não poderei comprovar a real existência delas (mas que existem, existem).

E, enfim, cerca de 13h20 (sempre com alguns minutos de atraso) eu me apresento ao trabalho. A partir deste momento eu estou sujeito às ordens de (CENSURADO), qualquer pessoa contratada legalmente, e, principalmente, (CENSURADO) (um dia eu perco meu post discorrendo sobre esta pessoa, digamos assim, impar).

Mas não pense que estou tão por baixo. Não senhor(a). Tenho subalternos, como não? 21 anos e cinco subalternos. Subalternos estes que não respeitam esta hierarquia e confundem amizade e trabalho. Mas sou brasileiro, dou meu jeitinho e creio que efetuo meu repetitivo trabalho “tentando reordenar as tarefas que nunca precisarei desempenhar”. Mas me dou bem, como não? Ou não. O que é se dar bem para você?

Esta função se estende até às 19h, alguns minutos a menos ou mais. Após isto, sigo de volta ao meu lar cheio de planos do que vou fazer. “Vou ler, escrever, fazer acontecer”. Isso ainda a frente do Terminal Barra Funda. Passado todo o trajeto. Já nas proximidades do meu lar: “Já sei, vou vender o Felipe, ele está insatisfeito e é a laranja podre. Tenho substitutos”.

Já no meu lar, como um delicioso jantar preparado pela senhora (CENSURADO) e me mantenho em meu quarto. Verifico e-mails, poucos interessantes. Verifico o Orkut, nada novo. Sigo em frente ao PC, Windows Explorer, Programas, CM, Championship Manager, fim do dia.

Se alguém me perguntasse em uma entrevista de emprego, como eu me vejo amanhã. Seria exatamente assim que eu pensaria em responder, mas acabaria dizendo: “Eu leio bastante, jornal e livros, adoro ver filmes, mas passo maior parte do tempo me dedicando aos projetos da faculdade e dando o melhor de mim no trabalho”.

Isso porque vocês não ouviram os planos para as semanas, anos, décadas....