segunda-feira, 28 de março de 2011

Em defesa do estilo de vida

Para quem se interessa por minha vida e a acompanha exclusivamente por meu blog (isso se resume a ninguém), vou vos atualizar sobre minha proeminente existência enquanto ser humano. Notem, vocês por aí, que inclusive na barrinha aqui do lado, as palavras que ousam dizer quem eu sou, há uma mudança.

“desempregado e, segundo eu mesmo, um dos maiores casos de potencial desperdiçado da história do homem moderno”

foi substituído (como vocês podem ver novamente, se estiverem com vontade, desviando os olhos um pouquinho para a direita... viram?... prooonto) por

“Jornalista de cueca”

Minto, não é isso que tá lá. Afinal, eu ainda sou um dos maiores casos de potencial desperdiçado da história do homem moderno. Isso me descreve bem. Já sei.. vou deixar:

“Jornalista de cueca e um dos maiores casos de potencial desperdiçado da história do homem moderno”.

Antes ia ficar

“jornalista que disfarça o desemprego dizendo que é freelancer”

Mas o “de cueca” representa tudo isso que essa frase grande quer dizer.

O que isso tudo diz respeito sobre a proeminente existência do meu ser humano enquanto travec.. ops, pessoa? Que eu abri mão de empregos formais. Ou pelo menos é o que pretendo. Essa vida de acordar cedo, tomar banho correndo, ir pro trabalho, ter pouca ou muita coisa pra fazer, contar as horas para sair do trabalho e rezar por DEUZ para alguém de bom coração ter o mesmo dia enfadonho que sua própria pessoa e querer tomar uma cerveja em seguida e falar mal do chefe é improdutiva. Não só pra mim, mas para mim, é para todos. Mas como eu sou só mim, não sou todos, porque se eu fosse todos, eu não seria mim (q/). YO SOY EL OTRO.

Como já diria o sábio publicitário que criou o nome brilhante para um dos maiores festivais da música contemporânea do século atual e, quiçá, dos três últimos, Stars With You. Minto. Não era isso, embora e tenha pensado que era isso por um bom tempo. Pensei que eles queriam enfatizar o fato enfadonho (quem usa essa palavra duas vezes no mesmo texto?) de que algumas estrelas estariam dividindo o mesmo tempo e espaço que alguns mortais brasileiros. Mas não, é Starts With You. (“começa com você” para iletrados em linguagem estadosunidenses {“agora inglês é dos EUA? Seu burro”.. tá booom.. é que só quis usar essa palavra... pq eu odeio que usa.. USA}). Começa com você. Comigo? Isso aí Felipinho. Então comecei.

Vamos lá, quem de vocês não tem porra nenhuma pra fazer no trabalho exatamente agora? Ou pior, quem tem uma porrada de coisa para fazer, mas tá de saco cheio? Alguém levantou a mão? Espero que não, senão você é mongológico. Mas alguém deve ter concordado. Ou não, a final ninguém lê e quem lê, num deve fazer isso do trabalho. Seu chefe tá de olho.

Minha teoria é que os trabalhos não precisam ser feitos no ambiente de trabalho. Claro, não todos. Tem alguns que requerem o espaço físico e os caralhos (ainda), mas a maioria não. A lógica de ir trabalhar é antiga e parte do pressuposto que você é uma anta que num sabe fazer as coisas direito, ou um vagabundo que não faz as coisas. O olho do dono que engorda o boy. Essas groselhas por aí.

É de uma tristeza sem fim ficar preso em sua cadeira, esperando a porra do tempo passar, procrastinando uma coisa que você até gosta de fazer (se te deixassem fazer do jeito que gosta). Esse sistema aí, de te deixar preso, acaba inclusive com seu prazer de trabalhar e, consequentemente, com toda sua criatividade. Não é produtivo. Quem já não tinha coisas para fazer, mas tava rolando aquele jogo do Barça na Champions, com o Messi vermelhinho, e você acaba não fazendo uma coisa nem outra? Tem empresas por aí que inclusive bloqueiam as redes sociais no trabalho, mas isso nem vou me aprofundar porque se você não é um símio, você consegue ver como isso é sem sentido. A produtividade não vem das 8 às 18. Nine2five como dizem por aí nos estrangero .

Vamos usar de uma das premissas do jornalismo literário, e fazer uma imersão em um personagem para analisar os prós e contras do “jornalismo de cueca” (é uma escola.. tipo o new journalism, o gonzo e essas porra. A diferença positiva é que as características podem ser transportadas para outras áreas de conhecimento, a diferença negativa é que o grande ícone sou eu {“que bosta então”, “nasceu para morrer”, “pelo menos ele é gatinho”}).

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Felipe Floresti é um sobrevivente da cidade grande. Latino americano sem cheiro e sem sabor. Não pode dizer que construiu a vida de alguma forma, pois sua vida está longe de ser construída. Mas conseguiu com algum esforço (dispensável) se formar em jornalismo em uma faculdade particular e os dinheiros do papai.

Passou algum tempo, conseguiu que alguém o contratasse para trabalhar em uma revista cujo nome não poderá ser divulgado por força de contrato. Algum tempo depois este emprego o deixou. Mas esse não é o clímax da história. É o chamado à aventura. Você está em sua vida comum, e há o chamado, que te joga na história. Jornada do herói, meus amigos. “Você é o herói? Mãaae cadê o controle? Muda de canal pra mim?”.

Foram dias conturbados na vida deste jovem tão bem apessoado. Vagas e mais vagas apareciam para ele todos os dias. A internet estava cheia. Analista de mídias sociais aqui, assessor de imprensa acolá, redator júnior mini mirim no outro. Parou, pensou e: “Comigo não, violão”, proferiu.

Desde os tempos de faculdade. Lá quando você pensa que o jornalismo carrega alguma dignidade. Quando seus professores te colocam que Folha ou Estado são nortes de como e para quem escrever. Quando ser bem sucedido, era ter algum nome. Essas ideias que você pensa e pensa: “Támalooks. Pra que uma porra dessa?”, esse fofo já pensava (pensa demais para seu tamainho): “O dazora é trabalhar igual um mongologico, fazendo qualquer coisa, pra ganhar atenção das muié, e outros hóme. Daí, quando for véi e caquético, ter moral suficiente para que confiem em você e, assim, você vai viver de freela”.

Mas Didi Mocó Sonrisépio Colesterol Novalgino Mufumbbo tinha razão. Em uma de suas mais representativas obras, defende que o ser humano trabalha a vida toda para ganhar dinheiro e quando tiver o suficiente, se aposentar e não fazer nada. Ele cortou caminho. O Fefê também. SWU.

Tomada a decisão, algo mudou em sua vida. Percebeu que a hora de acordar, que antes era determinada pela vontade de nosso senhor jezuis cristo, se tornou 9h30 ou 10h. Depois, sentava a bunda no computador (q/) e lá ficava. Aos poucos foi percebendo que a TV, sempre ao seu lado, estava sempre no mesmo canal. Em determinado momento, seu som começava a atrapalhar. Assim ela se tornava muda e aos poucos esquecida. Só era lembrada quando em um surto de consciência ambiental, resolvia desligar. Ou quando passava futebol. Ou The Big Bang Theory, ou Two and a Half man, ou Friends. (Mentira.. se não seria o dia todo. Já perceberam que sempre que você liga na Warner tá passando um desses três? E que você já viu o episódio?)

Quando fazia muito calor, a cama começava a convidar. A letargia vespertina tomava conta, muito pelo fato da hora de acordar na ser proporcional com a hora que foi dormir na noite anterior. Para fugir, dirigia-se à geladeira e, de lá, sacava uma boa e velha cerveja. Refazendo os ânimos e voltando ao que pode ser confundido com trabalho. A diferença é que não ganha nada para aquilo, e você está pesquisando sobre coisas que realmente gosta. Muito diferente de um trabalho tradicional.

Esse jovem adulto também começou a perceber que tudo isso acontecia enquanto trajava apenas uma cueca. Criando as bases teóricas para este novo movimento. Notem que o fundamento nasceu naturalmente. Não foi nada pensado por um grande pensador. É algo que está na essência do ser humano (mentira.. ser humano não tem essência).

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O "Jornalismo de Cueca", ou JC para os mais descolados, prega total liberdade de profissão. Pelo contrário que você pensa, esse profissional se dedicará muito mais que todos os seus colegas de que estão dentro de redações neste momento. A diferença é não ter hora para acabar, e sim para começar. É bom manter a disciplina. Mas estará trabalhando de acordo com suas próprias regras. Se você quebrar suas próprias regras, você é muito rebelde mey.

Outro fator é não ter dinheiro. Não pense que você vá ganhar algum dinheiro. Fique muito contente se ganhar algum. Portanto, parte fundamental desse estilo de vida é reduzir os custos ao máximo. Quando comer sozinho, dê preferência absoluta ao que você tem em casa. Arroz, feijão e uma salada é banquete. Também aprenda a cozinhar, vagabundo. Eu não faço feijão, mas hoje em dia tem de caixinha e num é ruim não. Não se incomode também de comer a mesma coisa por vários dias seguidos, afinal cozinhar só para si é chato, e a louça é toda sua depois ainda. Quando for fazer, faça em quantidades grandes.

Infelizmente jornalismo de cueca às vezes usa calça. Às vezes usa até camisa. Isso vai contra o que defendem alguns puristas, mas fazer jornalismo de casa é chato. A cueca serve para o momento de escrever, e pesquisar. Pra achar assuntos, propor pautas. Mal sabe aquele editor fodão que você está de cueca enquanto fala com ele. Mas é a pura realidade. Tente fazer um contato profissional de cueca e outro bem vestido. Na primeira opção, segundo dados empíricos, a chance de sucesso é 68% maior. O sujeito se torna mais seguro e confiante. Para fazer reportagens externas, vista-se decentemente. Afinal, a sociedade ainda não está preparada para pessoas como nós.

Saia para a rua, converse com os vizinhos, descubra coisas novas. Veja o que está errado, o que está certo. Onde tem uma história legal de ser contada. Chegando em casa, tire a roupa, abra uma cerveja, ligue o futebol no mudo e ponha tudo no papel. Se precisar, tire uns minutinhos para pensar no que viu. Se quiser ligar para sua mãe, lavar roupa, ver o vídeo pornô da Maria do BBB, bater uminha, jogar um W11 com o Messi ou ficar um tempão escrevendo um monte de bobagem antes de tudo , vá. O poder é de vocês.

Mas não se preocupe. A cueca está em você. Por mais que você não goste de usar cueca, ela está em você. Por mais que você seja uma menina e esteja usando uma calcinha bem delícia, daquelas curtinhas, meio transparentes, a cueca está em você. É fazer o que gosta, da forma que gosta, e conseguir fazer alguém te dar um dinheiro por isso (enquanto ainda precisamos dele). Isso é vida.

5 comentários:

Obede Jr. disse...

excelente texto, manolo. engraçado, divertido, informativo, emocionante, sério, controverso e tentador. e acabou, pq nem conheço mais adjetivos.

cada vez mais penso nessa de jornalismo de cueca, mas porra, sou rebelde, leia-se preguiçoso pra caralho, e não teria as manha de sair caçando pauta e sair oferecendo pra gente de menor intelecto (cof, cof).

sabe qual pode ser as manha, e essa ideia me vem agora nesse momento que escrevo o comentá.. porra, esqueci.. ah, nem era tão da hora assi.. ah, lembrei, eh criar tipo uma "Rede Cueca de Jornalismo". Já que se não ganha nada mesmo, vamos juntar mais jornalistas cuequeiros (praiêros, guerrêros, soltêros) e colocar suas pautas e histórias no mesmo lugar e os editor terão uns preview, bem poquin, e se gostarem, compram a parada por MILHAARES de centavos.

que acha? acho que rola pensar em algo assim, heeeeeeeeeein?

bjunds
PS. vc eh moh engraçado e LINDO, digo, legal!

alzira Floresti disse...

Fe, voce é o meu garoto...inteligentíssiiiiiiiiiimo.beijos...

Caroline Castro disse...

hahah mto bom o texto, bei.. se eu não fosse "mongológica" e, ao invés de estar no trabalho, estivesse do seu ladinho, vc teria me visto rir várias vezes.

concordo com todas as palavras do obede e com as suas ideias. Só discordo q vc é sem cheiro e sem sabor (óin)

beijos

Godinho disse...

Quando eu fazia parte do jornalismo de cueca (que não tinha esse nome registrado na história), cheguei a pedir pra assessor ligar depois... ô, tava passando maratona friends, isso é muito sério!

Juliana disse...

Hahaha... Adorei Frodo!!! bjos