sexta-feira, 24 de julho de 2009

Na bad?

“Olha aquele cara sem a perna e você aí reclamando”. Odeio esses papos. Tipo, porque existe uma pessoa em situação pior, devemos estar sempre 100% satisfeito com a vida? “Sua mãe morreu? E daí? Eu vi na TV um cara que perdeu a família toda num acidente de carro. Está chorando de barriga cheia”.

Não dá para viver num mundo de desilusões onde tudo parece horrível só porque há algo que te desagrade, mas também não dá para “criar um mundo de encanto, onde tudo é belo” só porque tragédias não te acometem todo dia. Vejam a situação desse rapaz e deem sua opinião:

Jovem adulto, embora não tenha realizado nada da vida que o livre da adolescência (a não ser o fato de já ter terminado a faculdade), latino americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior. Possui todos os membros do corpo, uma saúde que, embora as vezes dê uma falhada (como em todo ser humano), é considerada boa e uma inteligência considerável, apesar de não exercitá-la com freqüência.

Bem raramente utiliza de transporte público. Já teve essa experiência no passado, com trens lotados e pessoas insistindo em chupar uma mixirica ou comer esfiha do Habibis no meio de todo mundo com o claro objetivo de empestear o ambiente abafado com aquele cheiro forte que enjoa os demais, mas está livre disso.

Não. Não é que tenha carro próprio ou coisa que o valha. O fato é que em sua vida cotidiana não percorre longos caminhos. Seu único dever diário é um curso que faz perto de casa, no meio da tarde, e cujos conhecimentos devem lhe ser pouco útil no decorrer de sua vida (se bem que todo conhecimento é um conhecimento. Ou como diria Rodriguinho SB, vale até ler Lair Ribeiro.)

Sua pouca atividade diária se deve a situação mais incomoda de sua vida no momento. Está desempregado. Não. Isso não significa uma vida desprovida de dinheiros (sic), afinal seus pais, embora não sejam ricos ou coisa que o valha, lhe proporcionam uma boa renda. Mas aí que mora o perigo.

Jovens adultos não gostam de depender de providencias dos pais (nem das Divinas). Gostam de ser auto-suficientes. Ficar livres para gastar todo seu rendimento com álcool, doces (seja em chiclete e bala ou naqueles papeizinhos), profissionais do sexo, apostas ou o que for que dê vontade. Não que o nosso rapaz em questão faça tudo isso (sempre), mas ele já experimentou liberdade semelhante e gostou.

As vezes fica dias e dias esperando, cheio de confiança, uma resposta positiva. Resposta que as vezes nem se dão ao trabalho de enviar. Também existe o desgaste de mandar currículos, preencher fichas e passar por entrevistas que tem a ver com sua área, mas não animam nem o entrevistador.

Já pensou em arrumar um emprego qualquer. Que lhe garanta uma remuneração fixa e pelo menos pague a “conta da Telemar”. Mas nosso herói se recusa (por enquanto) a se submeter a um emprego que seja menos satisfatório e rentável do que serviço de quarto em um hotel de outro país, posição que já lhe rendeu a liberdade citada anteriormente.

Nosso rapaz (que a essa altura já deve ser muito querido por todos vocês) também é desprovido de amor no coração. Ele não sabe se isso é bom ou ruim, que fique bem claro, mas influencia seu dia-a-dia. Como euzinho mesmo já disse em um antigo e efêmero blog, “Sempre precisamos de algo que nos completem, to fulfill your life”.

Para esse que agora já posso chamar de querido amigo, a saída são relacionamentos efêmeros, festas noturnas e álcool (itens muito onerosos, diga-se de passagem). Esse clichê da vida de solteiro funciona (assim como todos os outros clichês, que se não fossem bons não recebiam esta alcunha) e até anima uma vida eterna desta forma.

Mas é igual o Hank Moody (David Duchovny) no Californication. Vive uma vida muito boa, faz sexo sem compromisso com mulheres lindas, mas trocaria tudo para ficar ao lado da Karen van der Beek (Natascha McElhone, que tem uma cara meio estranha as vezes mas é uma grandiosa gracinha) e da filha. Mas sua vida boa de solteirão as vezes é tentadora e ele põe tudo a perder. “E põe tudo a perder”.

Recentemente nosso o glorioso jovem adulto em questão (eu já amo esse menino já) até sentiu fibrilações mais fortes, mas sem grande futuro (por razões [mil fita] que não poderei revelar). O fato é que essas reações causadas por outro ser humano do sexo feminino (claro que um rapaz tão perfeito é macho [se bem que os gays costumam ser seres humanos melhores {é o que dizem}]) o agradaram bastante.

Mas será que este partidaço (se não fosse desempregado, eu o indicaria a minha filha) abriria mão deste dia-a-dia repleto de prazeres efêmeros assim? De supetão? Nem ele sabe. Só por grandes amores. Mas todos sabemos que grandes amores não estão disponíveis em prateleiras de supermercado.

Também existem aqueles sábados a noite chuvosos e frios, quando se está com preguiça e só quer ficar de boa, de baixo da coberta, ver um filme na TV. Existem os domingos a tarde de sol na paulista, visitando o Espaço Unibanco e tomando um suco de açaí. Prazeres da vida que ó, solteiro, “NO WAY”.

Daí é assim. Tem dias que está feliz, canta no chuveiro, caminha tranquilamente no sol de inverno, para para ver as capas de jornal e revista na banca. E tem dias que está na bad. Pode?

5 comentários:

Jordi disse...

Mó bad hein...rs

Gi disse...

hj é dia de bad!

Jordi disse...

Pra vc sair dessa bad, o video do joseph climber da vida real: http://www.youtube.com/watch?v=H8ZuKF3dxCY

Juliana disse...

Esse garoto é uma graça...

Apresentaria para minha filha..rsrs

Will disse...

Olha, se esse herói não se chamasse Felipe, poderia até se chamar Wilson (tirando a parte do desempregado, é claro!)

A pior parte de procurar um amor é saber que o encontrou e o perdeu de vista. A parte boa de ser solteiro é optar por diversos amores, vezes ao dia.

Gosto de ler o que escreve.
Abraços,
Will